Experiência: 8 meses em home office.


Home office a cada dia se torna uma realidade mais palpável em nosso país. Empresas se voltam à esta forma de contratação para recrutar talentos em outras localidades e, consequentemente, diminuir custos com logísticas. Porém, nem tudo são flores e, neste texto, quero apresentar um pouco da minha experiencia de 8 meses neste mundo do trabalho remoto.

Trabalhar em casa é um sonho de todos. Até hoje recebo vários spans afirmando que você pode trabalhar em casa e ganhar muito com isso. Realmente que, em alguns casos, há uma certa verdade e o indivíduo pode mesmo ganhar muito dinheiro. Mas ao nos imaginar-mos trabalhando em casa criamos uma bela visão de trabalho com descanso, a qual, em partes, não é verdade. Home office é, ou pelo menos deveria ser, igual a trabalhar alocado em um escritório, com todas suas variantes, regras e rotinas. Porém, existe uma diferença grande em tudo isso. Além do funcionário ter que seguir regras regidas de horários, ele também deve se adaptar com a rotina de sua casa com o trabalho. Não quero dizer que o trabalho em home office é desmerecedor ou que isso é impossível de ser feito, mas em grande parte do tempo vivemos uma ambiguidade complexa em que, estamos no trabalho, mas ao mesmo tempo em casa, tendo que seguir rotinas comuns de um ambiente corporativo. Claro, muitos vão dizer que o correto é se adaptar e criar rotinas, isso é bem verdade, mas as rotinas se mesclam, e se chocando umas com as outras. Logo, devemos pensar bem nisso antes de assumir determinado caminho.

Outro fato que dificulta ainda mais a vida em home office e a figura do “lider” que não entende as rotinas do desenvolvimento. Mesmo o campo da tecnologia sendo da área de exatas, desenvolver não é “exatamente exato”. Estamos expostos a problemas que, sua solução podem ou não demorar. E sabido que podemos dar prazos, mas os mesmos sempre serão curtos e podem estourar. Logo, ter alguém que entende a situação e pode ajudar a chegar a melhor solução e de extrema valia, porém, ao contrário, não preciso nem gastar palavras para explicar.

Agora vamos falar da solidão. Dizem que nós programadores gostamos da solidão e do mundo virtual. Mas no meu caso, e acredito que no da maioria, isso é mentira. Gostamos de ver pessoas, conversar, trocar ideias, mostrar códigos, discutir sobre o desenvolvimento com pessoas que entendem do assunto e, sobre tudo, crescer com isso. Não venha me dizer que Facebook, Skype, ou outro serviço semelhante pode sanar isso porque, se isso acontece com você, recomendo voltar a realidade e a sociedade meu caro leitor.

Por fim, eu erroneamente desconcordava com o Akita em um de seus texto intitulado [Off-Topic] Trabalho Remoto - Small Office, Home Office (SoHo), porém hoje concordo com o autor quando ele afirma que:

não consigo imaginar ainda formas para fazê-lo (desenvolvedor) evoluir, expô-lo a mais atividades que não seja apenas codificação, e dificilmente poderia delegar mais responsabilidades que não apenas código. A grande vantagem de trabalhar no mercado de serviços é ter acesso a mais empresas e mais situações do que qualquer funcionário de apenas uma empresa ou um único produto jamais teria como ter acesso. Estando remoto, existem muito poucas oportunidades.

Portanto, fica a dica para quem quer trabalhar home office. Não tive um experiencia muito agradável, porém concordo que, apenas foi um processo que passei e, que nem todas as empresas focadas apenas no desenvolvimento podem ser da mesma forma. Outro fato é que não estou criticando a empresa que trabalhei, muito pelo contrário, agradeço pela oportunidade, porém, não consegui me adaptar e alcançar meu objetivo. Uma frase que sempre disse é que não trabalho simplesmente pelo salário, mas gosto de me sentir útil no que faço.

Concluo portanto dizendo para você caro leito que avalie tudo antes de pensar que, home office é sobre tudo, uma vida de descanso. Pense em tudo que disse e, sobre tudo, seja feliz. Não importa se trabalhando em casa ou em um empresa, tenha foco na sua felicidade e no ser humano que você é.

Recomendo um bom texto, que não tem nada haver com o tema deste, mas fala sobre o stress no mundo da programação. Stress literalmente deixa os programadores loucos (e a Síndrome do Impostor)